Londres, era inverno...
...Ele olhava a chuva e com ela caiam lágrimas,
aos poucos lavavam-lhe a alma atormentada.
Algo de nostálgico, saudade de algum passado.
chuva que agora mostrava-se em pingos de prata;
Teria o mundo acabado? Os imortais sempre sobreviveram aos temporais.
Imortalizados estão em pessoas amadas,
imortalizados estarão nos lugares visitados.
Não sentia-se um privilegiado. Em seu íntimo
havia algo de condenável quiçá dramático, afinal ele amava.
A chuva transformava-se em flocos de neve.
Levantou-se, resolvera de casa sair.
Ajeitando cuidadosamente o longo cabelo em sua cartola,
abotoava o sobretudo de lã,
sua pele branca era o contraste entre seus verdes - azuis olhares,
estava mais pálido do que o habitual, mas mesmo assim ele estava lindo!
A carruagem pronta à esperar.
Ele na porta ficou, observou o céu por alguns instantes; A neve já não mais caia.
Chegara ao seu destino, um suntuoso salão. Amigos e conhecidos faziam
festa ao vê-lo entrar. Uma reunião de pessoas que pediam em suas súplicas e orações noturnas
um alivio para suas almas já cansadas. Serviam-lhe vinho, música em um antigo piano,
uma cantora dotada de beleza única.
Não sentia-se feliz. Aos poucos tudo ficara noite, e o
que parecia ser festa, começava a ser um misto de choro e lamento.
O enorme salão de portas abertas, onde para fora ninguém corria.
Esperavam o final.
Ao velho piano sugeriu uma música,
Ajeitou o longo cabelo com a fina fita de cetim preta.
Todos sentados, parados, olhares fixos, em silêncio imploravam.
Liberte-nos deste lugar!
Retirou então do bolso um pequeno cálice, com vinho o abasteceu
levantando-o ao alto brindou em voz alta: Um brinde para companheira morte,
também brindarei a prisão mais infernal, a loucura e a insanidade de teus atos!
Neste instante o vento cortou todo o salão,
almas foram caindo-se ao chão, os corvos chegaram.
Ele tomou um gole do pequeno cálice antes de atira-lo ao chão.
Retirou a fina fita que prendia-lhe os cabelos.
Estava mais corado do que antes.
Vestiu-se com o sobretudo de lã, deixou a cartola em uma das mesas,
dispensou sua carruagem. Saiu do salão, olhou-me, esboçou um sorriso.
Caminhou pela escura viela envolto por uma densa névoa.
Eu aterrorizado com os acontecimentos resolvi me aproximar.
Qual a surpresa para meu olhar observador;
O então suntuoso salão encontrava-se em ruínas e um enorme adorno já corroído pela ferrugem,
lia-se:
"Manicômio - 1833"
(Joshua)

2 comentários:
Só posso pensar em um vampiro do tempo!
Na loucura do eu!
Na certeza da nitidez do não saber!
Cativante meu caro, cativante...
Outra viagem ao passado, como resistir a nossa loucura do dia a dia, afinal todos nós gostaríamos de voltar a um tempo em que nos encontrasse. Mesmo que fosse dentro de nossa própria loucura.
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