16 de ago. de 2012


Londres, era inverno...

...Ele olhava a chuva e com ela caiam lágrimas,
aos poucos lavavam-lhe a alma atormentada.
Algo de nostálgico, saudade de algum passado.
chuva que agora mostrava-se em pingos de prata;
Teria o mundo acabado? Os imortais sempre sobreviveram aos temporais.
Imortalizados estão em pessoas amadas,
imortalizados estarão nos lugares visitados.

Não sentia-se um privilegiado. Em seu íntimo
havia algo de condenável quiçá dramático, afinal ele amava.
A chuva transformava-se em flocos de neve.

Levantou-se, resolvera de casa sair.
Ajeitando cuidadosamente o longo cabelo em sua cartola,
abotoava o sobretudo de lã,
sua pele branca era o contraste entre seus verdes - azuis olhares,
estava mais pálido do que o habitual, mas mesmo assim ele estava lindo!

A carruagem pronta à esperar.
Ele na porta ficou, observou o céu por alguns instantes; A neve já não mais caia.
Chegara ao seu destino, um suntuoso salão. Amigos e conhecidos faziam
festa ao vê-lo entrar. Uma reunião de pessoas que pediam em suas súplicas e orações noturnas
um alivio para suas almas já cansadas. Serviam-lhe vinho, música em um antigo piano,
uma cantora dotada de beleza única.

Não sentia-se feliz. Aos poucos tudo ficara noite, e o
que parecia ser festa, começava a ser um misto de choro e lamento.
O enorme salão de portas abertas, onde para fora ninguém corria.
Esperavam o final.

Ao velho piano sugeriu uma música,
Ajeitou o longo cabelo com a fina fita de cetim preta.
Todos sentados, parados, olhares fixos, em silêncio imploravam.
Liberte-nos deste lugar!

Retirou então do bolso um pequeno cálice, com vinho o abasteceu
levantando-o ao alto brindou em voz alta: Um brinde para companheira morte,
também brindarei a prisão mais infernal, a loucura e a insanidade de teus atos!

Neste instante o vento cortou todo o salão,
almas foram caindo-se ao chão, os corvos chegaram.
Ele tomou um gole do pequeno cálice antes de atira-lo ao chão.
Retirou a fina fita que prendia-lhe os cabelos.

Estava mais corado do que antes.
Vestiu-se com o sobretudo de lã, deixou a cartola em uma das mesas,
dispensou sua carruagem. Saiu do salão, olhou-me, esboçou um sorriso.
Caminhou pela escura viela envolto por uma densa névoa.
Eu aterrorizado com os acontecimentos resolvi me aproximar.
Qual a surpresa para meu olhar observador;
O então suntuoso salão encontrava-se em ruínas e um enorme adorno já corroído pela ferrugem,
lia-se:
"Manicômio - 1833"
(Joshua)

2 comentários:

Junior Junior disse...

Só posso pensar em um vampiro do tempo!
Na loucura do eu!
Na certeza da nitidez do não saber!
Cativante meu caro, cativante...

Unknown disse...

Outra viagem ao passado, como resistir a nossa loucura do dia a dia, afinal todos nós gostaríamos de voltar a um tempo em que nos encontrasse. Mesmo que fosse dentro de nossa própria loucura.

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