24 de ago. de 2012

 Hoje o meu despertar fora com um aperto no peito, parado fiquei e pela primeira vez pensei na vida sem ele.
Passaram-se anos desde aquela primavera, de longe eu o seguia, escrevia teus manuscritos. Hoje, juntos permanecíamos.
Neste dia sentia-me perdido, entre medos e pensamentos confusos, procurava uma resposta para minha repentina angustia.
sentia o frio rondar minha alma, acontecia algo; Mas o que estava errado?
Eu devotava à todos os dias de minha vida, sempre fui fiel, dedicado em minhas escritas.
Sempre, que requisitado eu me doava mais e mais. Esta angustia, sufocava-me.
Escondendo-a de mim mesmo, tinha medo de sofrer.

Olhávamos juntos pela janela de seu quarto o entardecer, ele sentia-se mais forte.
Sentado, observava o voo dos pássaros, andorinhas que procuravam abrigo.
Teimava em dizer-me que a 'escuridão' era o mais nobre dos teus sentimentos.
Ora! Absolutamente contraditório para quem o conhecia.
Trazia consigo tantos sentimentos, que eu precisaria viver nova vida para enumera-los.
Ensinou-me três valores preciosos; tenho-os tatuados dentro do peito.

Seu quarto, iluminado por um grande lustre de cristal, pareciam diamantes.
Sua cama, grande; Lençóis úmidos trocados por fino linho branco; Sentira febre durante a noite.
Ele admirava-se em um espelho imaginário, aparentava mais velho.
Emagrecera, depois de algumas semanas preso em seu leito, resultado de uma forte dor de cabeça.
O médico especialista veio visita-lo, alguns exames, uma picada para cessar a dor.
Esboçava um sorriso, analisava seus dentes, cintilantes como pérolas, sorriu-me.
Seus verdes olhos agora em cinza cor. Confesso o medo por mim sentido.
Perguntas fervilhavam em minha mente, não indagava-o, afinal sentia eu vergonha.
Escovando seu costumeiro fraque, observava-o no canto do meu olhar.
Brincava com a fina fita de cetim preta, o cálice por mim temido, encontrava-se
em uma pequena caixa, feita de carvalho, o mesmo brasão estampava-o.
Um dos serviçais, em jarra de prata trazia seu vinho.

Decidiu não sair. Ajeitou o cabelo com a fina fita de cetim preta.
Vestiu-se de negra seda. O contraste entre sua roupa, a taça de vinho, seus olhos, sua pele.
Um perfume inebriante, o som da musica, o cheiro do vinho tinto, e eu com ele levitava.
Sem relutar mais uma vez me entregava. Eramos novamente apenas 'um'.
Adormeci diante da imensidão de amar - amor

Um pouco tonto, calado olhei-o:
Ele,
despindo-se de sua seda negra. Sua pele branca misturava-se com a neve que caíra durante todo o inverno.
Antes de soltar seu longo cabelo, pude observar seu pescoço e suas costas arranhadas.
Olhando-me com um cinza olhar.
Abriu a porta, o mundo esperava-o. Despedia-se.
Pegando o pequeno cálice de prata, levantou-o ao gelado ar.
Fez um brinde dizendo: Brindarei ao mais puro de nós, o Amor!

Atirou o cálice na neve que imediatamente adquiriu uma coloração vermelho - sangue.
Corri para porta, tentei detê-lo; Mas, qual lobo, já corria pela planície branca e gélida.
Ele misturava-se na paisagem. Chorei, e pela primeira vez degustei de minhas próprias lágrimas.

Ouvi uma voz distante me dizendo: Eu tenho um pouco de ti, e você possui tudo de mim.

No despertar da minha angustia, já sufocado em sem folego, encontrei-me sentado na poltrona do meu escritório.
Segurando meus cabelos, lá estava minha inseparável fina fita de cetim preta,
olhei apavorado procurando pelo meu pequeno cálice de vinho, estava cheio.
corri para o espelho, minhas costas marcadas, mas meu pescoço intacto.
Em minha frente, três bilhetes, ligeiramente amassados onde lia-se:


"Jos, já havia marcado uma balada com a galera, não vou na festa"

"Josh sinto muito, ontem no café eu não queria ter me exaltado. Fez o que era certo. Obrigado pelo abraço"

"Joshua, você é muito teimoso eu avisei: use o capacete! Seu prédio esta em construção. Estimamos melhoras!

"Meu amor, não se atrase para a recepção. Sua dor de cabeça passou? liguei para o médico.
 Ah! Por favor , o que eu faço com esse lobo? Beijos te amo!

(Joshua Sebastian Duran)

Um comentário:

Unknown disse...

Quando os sentimentos são sinceros invadem-nos a alma que não sabemos se somos nós ou o outro!

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